Custos de construção subiram 6,8%: o que muda para quem vai construir, reabilitar ou vender
Construir uma casa continua significativamente mais caro do que há um ano.
Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística mostram que, em julho de 2026, os custos de construção de habitação nova aumentaram 6,8% em termos homólogos.
Os preços dos materiais cresceram 6,3% e o custo da mão de obra aumentou 7,3%.
Mas há uma distinção essencial: isto não significa que construir tenha ficado 6,8% mais caro apenas durante o mês de julho, nem que todas as casas novas devam subir 6,8% de preço.
O indicador compara os custos estimados com os registados no mesmo mês do ano anterior.

O que mede realmente este indicador?
O Índice de Custos de Construção de Habitação Nova acompanha a evolução dos principais custos diretamente relacionados com a construção, nomeadamente materiais e mão de obra.
Serve para perceber a pressão existente sobre a atividade de construção.
Não mede, porém, o custo total de um empreendimento imobiliário.
O preço final de uma habitação inclui muitas outras componentes, como:
  • terreno;
  • projetos e especialidades;
  • licenciamento e taxas;
  • financiamento;
  • infraestruturas;
  • comercialização;
  • impostos;
  • risco do investimento;
  • e margem necessária para tornar o projeto economicamente viável.
Por isso, um aumento de 6,8% no índice de custos de construção não corresponde automaticamente a uma subida de 6,8% no preço das casas.

Materiais e mão de obra estão ambos a pressionar os custos
Em julho, materiais e mão de obra contribuíram de forma muito semelhante para a evolução global do índice.
Os materiais aumentaram 6,3% face ao mesmo mês de 2025.
A mão de obra subiu ainda mais: 7,3%.
Isto é relevante porque a pressão já não pode ser explicada apenas pelo preço de algumas matérias-primas.
Mesmo quando certos materiais estabilizam, a disponibilidade de trabalhadores especializados, remunerações e restantes custos associados à execução das obras continuam a influenciar os orçamentos.
Para quem prepara uma construção ou reabilitação, olhar apenas para o preço dos materiais pode, por isso, dar uma imagem incompleta.

Os custos continuam elevados, mas estabilizaram face a junho
Há outro dado que ajuda a interpretar corretamente os números.
Na comparação com o mês anterior, o índice global não registou variação em julho.
Isto significa que os custos permaneceram praticamente estáveis entre junho e julho, apesar de continuarem 6,8% acima dos níveis de um ano antes.
As duas leituras não são contraditórias.
Um custo pode estabilizar durante alguns meses e continuar significativamente superior ao registado no ano anterior.
Para quem está a preparar uma obra, esta diferença é importante: estabilização não significa regresso aos preços antigos.

O que significa para quem vai construir uma casa?
Quem está a preparar uma construção deve ter especial cuidado com orçamentos realizados há vários meses.
Um valor obtido no início do projeto pode já não refletir as condições existentes quando a obra começa efetivamente.
Entre o projeto, licenciamento, contratação e início da construção podem decorrer meses.
Nesse período, materiais, mão de obra e disponibilidade dos empreiteiros podem alterar-se.
Por isso, antes de tomar uma decisão definitiva, é aconselhável confirmar:
  • se o orçamento continua válido;
  • que trabalhos estão efetivamente incluídos;
  • que materiais e equipamentos foram considerados;
  • se existem valores provisórios;
  • como são tratadas eventuais alterações;
  • e que margem financeira existe para imprevistos.
O objetivo não é partir do princípio de que a obra vai ultrapassar inevitavelmente o orçamento.
É evitar construir um plano financeiro sem capacidade para absorver uma diferença razoável.

Um orçamento mais barato nem sempre é o mais económico
Num período de custos elevados, comparar propostas torna-se ainda mais importante.
Mas a comparação não deve limitar-se ao total apresentado no final da página.
Dois orçamentos podem incluir trabalhos muito diferentes.
Um pode prever determinados acabamentos, equipamentos, preparação de infraestruturas ou trabalhos exteriores, enquanto outro os deixa de fora.
A proposta aparentemente mais barata pode acabar por exigir mais trabalhos adicionais ao longo da obra.
Antes de escolher, é importante comparar aquilo que está incluído — e aquilo que não está.

E para quem pretende reabilitar um imóvel?
Os dados do INE referem-se especificamente à construção de habitação nova, pelo que não devem ser aplicados diretamente como se fossem um índice exato do custo de qualquer reabilitação.
Mas a tendência é relevante.
Uma reabilitação também utiliza mão de obra, materiais, equipamentos e serviços do mesmo setor.
E existe uma dificuldade adicional: numa casa existente, alguns problemas só são descobertos depois de a intervenção começar.
Humidades, redes antigas, estruturas, coberturas ou instalações podem revelar necessidades que não eram totalmente visíveis no orçamento inicial.
Por isso, quanto mais profunda for a reabilitação, maior deve ser a atenção à margem para imprevistos.

Fazer obras antes de vender continua a compensar?
Depende.
O aumento dos custos torna ainda menos aconselhável fazer obras apenas porque se acredita que “uma casa renovada vale sempre mais”.
Uma intervenção de 30.000 euros não significa automaticamente um aumento de 30.000 euros no valor de mercado.
Há obras que eliminam obstáculos à venda, outras que aumentam a atratividade do imóvel e outras cujo custo dificilmente será recuperado.
Antes de investir, é necessário responder a três perguntas:

Quanto custa realmente a intervenção?
Quanto poderá aumentar o valor de mercado?
A obra facilita suficientemente a venda para justificar tempo, risco e capital investido?
Em alguns imóveis, uma intervenção seletiva pode fazer sentido.
Noutros, será preferível vender no estado atual e permitir que o comprador faça a obra de acordo com as suas necessidades.

Os custos de construção explicam a subida dos preços das casas?
Explicam uma parte.
Se construir fica mais caro, os novos projetos precisam de absorver esse aumento através de maior eficiência, menor margem, menor preço do terreno ou maior preço de venda.
Mas o mercado imobiliário não depende apenas do custo de construção.
O preço resulta também da relação entre procura e oferta, localização, capacidade de financiamento dos compradores, disponibilidade de terreno, velocidade dos licenciamentos e características concretas de cada empreendimento.
É por isso possível encontrar simultaneamente custos de construção elevados e comportamentos de preços muito diferentes entre municípios ou segmentos do mercado.

Um projeto pode deixar de ser viável mesmo que exista procura
Este é um efeito menos visível.
Nem todos os terrenos com capacidade construtiva dão origem a projetos.
Antes de avançar, um promotor compara o valor esperado das futuras vendas com todos os custos necessários para desenvolver o empreendimento.
Se os custos aumentarem demasiado e o mercado não conseguir absorver um preço final superior, a margem pode tornar-se insuficiente.
Nesse caso, o projeto pode ser adiado, reformulado ou simplesmente não avançar.
Por isso, os custos de construção também influenciam a oferta futura de habitação.

O que significa para quem compra casa nova?
Para o comprador, estes dados ajudam sobretudo a compreender o contexto em que os empreendimentos estão a ser desenvolvidos.
Um empreendimento que hoje chega ao mercado pode ter sido adquirido, projetado e orçamentado vários anos antes.
Outro pode estar a iniciar agora a construção com custos muito diferentes.
Isto ajuda a explicar porque dois projetos aparentemente semelhantes podem apresentar preços distintos.
Ainda assim, o comprador não deve aceitar qualquer preço apenas com o argumento de que “construir está mais caro”.
O valor deve continuar a ser avaliado em função da localização, qualidade, área, características do projeto, oferta concorrente e condições da aquisição.

E para quem tem um terreno?
Um aumento dos preços das casas não significa necessariamente que o terreno passou a valer proporcionalmente mais.
Quando os custos de construção aumentam, parte da capacidade económica de um projeto pode ser absorvida precisamente por esses custos.
O valor que um promotor consegue atribuir ao terreno depende do preço provável das futuras vendas menos todos os custos e riscos necessários para chegar até elas.
Por isso, avaliar um terreno exclusivamente através do preço por metro quadrado das casas novas da zona pode conduzir a expectativas irrealistas.

Custos mais altos tornam o planeamento ainda mais importante
Num mercado com custos elevados, pequenos erros na fase inicial tornam-se mais caros.
Comprar um terreno sem confirmar a capacidade construtiva, iniciar uma reabilitação sem diagnóstico suficiente ou assumir uma valorização futura demasiado otimista pode alterar completamente o resultado económico da operação.
Antes de avançar, deve existir uma análise integrada entre:
viabilidade urbanística;
custo provável;
prazo;
financiamento;
valor final do imóvel;
e margem para imprevistos.
O preço de entrada é apenas uma das variáveis.

Em síntese
Em julho de 2026, os custos de construção de habitação nova estavam 6,8% acima dos registados um ano antes.
Os materiais aumentaram 6,3% e a mão de obra 7,3%.
Apesar desta pressão homóloga, o índice global estabilizou face ao mês anterior.
O dado não significa que todas as obras tenham ficado 6,8% mais caras nem que o preço das casas tenha de aumentar na mesma proporção.
Mostra, sim, que desenvolver nova habitação continua sujeito a uma estrutura de custos significativamente mais exigente.
Para quem vai construir, é um motivo para rever orçamentos e margem financeira.
Para quem pretende reabilitar, reforça a importância de selecionar intervenções com retorno real.
Para quem vende, lembra que custo de obra e valorização de mercado não são a mesma coisa.
E para quem compra, ajuda a perceber porque o preço final de uma casa nova resulta de muito mais do que o valor do terreno ou dos materiais.
Num mercado em que construir continua caro, a melhor proteção não é tentar adivinhar o próximo preço. É tomar a decisão com todas as componentes do custo identificadas antes de avançar.

Na Nortelar acompanhamos proprietários, compradores e investidores na análise de imóveis e oportunidades, ajudando a cruzar valor de mercado, estado do imóvel, potencial de valorização e contexto antes de transformar uma intenção numa decisão.