Quanto dinheiro é preciso ter antes de comprar casa? 
Comprar casa não começa na visita ao imóvel. Começa na preparação financeira. 
Muitos compradores concentram-se no valor máximo que o banco poderá financiar. No entanto, esse valor não corresponde necessariamente ao preço de compra mais seguro, nem ao montante total de que será necessário dispor para concluir o negócio. 
Entrada, impostos, escritura, registos, seguros, avaliação bancária, mudança e eventuais obras podem alterar de forma significativa o orçamento inicial. 
Antes de procurar casa, é importante distinguir três valores: o preço máximo teoricamente financiável, o preço confortável para o orçamento mensal e a poupança que deve continuar disponível depois da compra. 

O banco não financia apenas com base no preço acordado 
Na aquisição de habitação própria e permanente, o financiamento está, em regra, limitado a 90% do menor valor entre o preço de compra e a avaliação bancária. 
Isto significa que o comprador deve estar preparado para suportar, pelo menos, uma parte do preço com capitais próprios. E essa necessidade pode aumentar se a avaliação bancária ficar abaixo do valor acordado com o vendedor. 
Por exemplo, um comprador pode ter capacidade financeira para determinada prestação, mas ainda assim precisar de mais poupança caso o banco atribua ao imóvel um valor inferior ao preço de venda. 
É por isso que a pré-aprovação é importante, mas não resolve todo o processo. A aprovação final depende também do imóvel, da documentação e da avaliação. 

A entrada não é o único valor necessário 
Além da parte do preço que não é financiada, a compra pode envolver outros encargos. 
Entre os principais estão: 
• Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis, quando aplicável; 
• Imposto do Selo sobre a aquisição; 
• Imposto do Selo associado ao financiamento; 
• custos de escritura ou documento particular autenticado; 
• registos; 
• avaliação bancária e eventuais comissões; 
• seguros associados ao crédito; 
• mudança, mobiliário ou pequenas intervenções iniciais. 
O valor do IMT depende do preço ou do Valor Patrimonial Tributário, considerando-se, em regra, o que for mais elevado. A finalidade do imóvel e a situação do comprador também podem influenciar a tributação. 
Existem benefícios aplicáveis a determinados compradores, incluindo o regime dirigido a jovens até aos 35 anos que cumpram as respetivas condições. Mas a existência de uma isenção não deve ser assumida antes de confirmar o enquadramento concreto. 

O orçamento mensal deve ser confortável, não apenas possível 
Conseguir aprovação bancária não significa que a prestação seja adequada à vida do agregado. 
O orçamento deve continuar a suportar alimentação, transportes, saúde, educação, manutenção da casa, condomínio, impostos, seguros e imprevistos. 
Uma prestação próxima do limite máximo pode deixar pouca margem para alterações das taxas de juro, despesas inesperadas ou mudanças no rendimento. 
Por isso, o valor confortável de compra pode ser inferior ao valor máximo indicado pelo banco. 

A poupança não deve desaparecer totalmente na escritura 
Utilizar toda a poupança disponível na entrada e nos impostos pode criar uma situação de fragilidade logo após a compra. 
Uma casa pode exigir pequenas reparações, equipamentos, mudança de contratos, mobiliário ou despesas que não estavam previstas. Além disso, qualquer agregado deve manter uma reserva para situações imprevistas. 
Antes de avançar, é aconselhável definir quanto dinheiro pode ser utilizado na compra e quanto deve permanecer disponível depois da escritura. 

Três valores que deve conhecer antes de procurar casa 
Primeiro, o preço máximo teoricamente financiável. É uma referência bancária e não deve ser confundido com uma recomendação de compra. 
Segundo, o preço confortável. Deve permitir suportar a prestação e os restantes custos sem comprometer excessivamente o orçamento mensal. 
Terceiro, a liquidez disponível. Inclui o dinheiro necessário para entrada, impostos, despesas e uma reserva posterior à compra. 
Quando estes três valores estão definidos, a procura torna-se mais eficiente. O comprador evita visitar imóveis fora da sua realidade, reduz o risco de assumir compromissos prematuros e consegue negociar com maior segurança. 

Em síntese 
• O banco pode financiar, em regra, até 90% do menor valor entre o preço e a avaliação na habitação própria e permanente. 
• A entrada é apenas uma parte do dinheiro necessário. 
• IMT, Imposto do Selo, registos, seguros e outras despesas devem entrar no orçamento. 
• O preço confortável pode ser inferior ao valor máximo financiável. 
• Deve existir uma reserva depois da compra. 
Na Nortelar, ajudamos compradores a organizar a procura de forma realista, ligando capacidade financeira, características do imóvel e segurança do processo. Comprar casa deve ser uma decisão entusiasmante, mas também financeiramente preparada.